Exploração sexual e tráfico de mulheres e crianças
Opinião

Exploração sexual e tráfico de mulheres e crianças

Margot Jung


Dia 23 de setembro é Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças. É também o Dia da Visibilidade Bissexual. Dois dias para marcar a nossa luta contra o preconceito e contra toda forma de discriminação e exploração das mulheres.

Essas são lutas que fazemos todos os dias, porque mesmo em pleno século XXI, mulheres são vistas como mercadorias negociáveis e vendáveis, desconsiderando-se o poder que elas têm sobre os próprios corpos, a vontade própria e considerando-se a negação, às mulheres, dos direitos mais básicos a qualquer ser humano.

A Organização das Nações Unidas (ONU), no Protocolo de Palermo (2003), define tráfico de pessoas como o “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração“.

De maneira geral, o tráfico de pessoas consiste no ato de comercializar, escravizar, explorar e privar vidas, caracterizando-se como uma forma de violação dos direitos humanos por ter impacto diretamente na vida dos indivíduos.

Mulheres e crianças representam 82% do total de pessoas traficadas no mundo todo e o Brasil é o país latino americano com maior incidência dessa modalidade de crime. Associado à histórica opressão da sexualidade das mulheres e exploração de seus corpos, o tráfico de pessoas no mundo e, de modo especial no Brasil, está diretamente relacionado à pobreza, ausência de trabalho e salários dignos. Além disso, o tráfico se alia também à ineficiência do Estado na execução de políticas públicas de proteção de direitos fundamentais e humanos.

A nossa sociedade ainda tem muito o que melhorar.


Margot é pós graduada em Gestão Pública pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), conselheira no Conselho Municipal da Mulher Maringaense, presidente da Associação Maringaense LGBT (AMLGBT) e membro do grupo Mães pela Diversidade.

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