Este é o ano que teremos a oportunidade de reescrever a história de Maringá
Opinião

Este é o ano que teremos a oportunidade de reescrever a história de Maringá

O cenário político nacional, atual, se constitui num crescimento dos valores morais conservadores. O discurso de ódio às minorias, a defesa da redução do Estado e comportamentos LGBTfóbicos, aparecem com força nas redes sociais e fazem sucesso entre alguns eleitores.

Durante as eleições de 2018 e, imediatamente após, houve uma escalada de violência contra a população LGBT no país. Ativistas e militantes denunciaram agressões físicas ou verbais contra pessoas LGBT e o assunto passou a ocupar os noticiários. Além dos depoimentos de pessoas LGBT que sofreram xingamentos e ofensas nas redes sociais, foram noticiadas situações envolvendo ameaças de morte e homicídio de pessoas LGBT, com motivação político-eleitoral, e também o aumento de agressões pelas redes sociais.

É preciso barrar toda forma de preconceito e toda a violência contra mulheres e LGBT. As eleições se aproximam e proporcionam um momento ideal à reflexão sobre qual o papel que mulheres e LGBT desempenham na sociedade. É preciso entender como discursos de ódio impactam as vidas de mulheres, de travestis, transexuais, lésbicas e gays. É preciso entender porque ainda há resistência em se elegerem mulheres e LGBTs.

Em Maringá, nas eleições de 2016, nenhuma mulher e nenhuma pessoa LGBT foi eleita para a Câmara de Vereadores. Não temos representatividade no legislativo de nossa cidade.

Em 73 anos de existência, Maringá teve 252 vereadores eleitos. Desse total, 239 são homens e apenas 13 são mulheres. Nunca chegamos a ocupar nem dez por cento das cadeiras do legislativo. Ninguém, declaradamente LGBT, foi eleito em Maringá, mesmo havendo candidaturas.

Este ano de 2020 é o ano que teremos a oportunidade de reescrever a história de Maringá. Vamos votar em mulheres, vamos votar em LGBT. Vamos votar pensando em nossa representatividade e fazer uma Maringá diferente. Vamos eleger um legislativo mais próximo da população e da classe trabalhadora e transformar Maringá numa cidade muito mais democrática.


Margot Jung é presidente da Associação Maringaense Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros.

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