Bolsonarismo estará muito bem representado na Câmara de Maringá
Opinião

Bolsonarismo estará muito bem representado na Câmara de Maringá

Margot Jung


Passados vinte dias das eleições, ainda há um assunto do qual eu gostaria de tratar: a representatividade na câmara de Maringá.

Para Karl Marx, numa interpretação bastante simplista, toda conquista de direitos está baseada na consciência de classe. E as eleições em Maringá demonstraram, mais uma vez, que ainda falta muita consciência de classe para o eleitorado da cidade.

Foram eleitos 15 vereadores. Destes, oito foram reeleitos. Entre os novos, apenas duas mulheres; dois policiais; um médico; três empresários; um negro; nenhum LGBT declarado.

Ou seja, de mudança mesmo, só podemos perceber a eleição das duas mulheres, pois não havia vereadoras eleitas em 2016, e a eleição de um homem negro.

Das mulheres, podemos esperar que apenas a professora Ana Lúcia represente a classe na Câmara, considerando seu longo histórico de ativismo social. A outra eleita, já mostrou a que veio antes mesmo de ser empossada, pois declara, abertamente, apoio ao presidente Bolsonaro e tem como fiel aliado o deputado Homero Marchese. O único homem negro eleito, não tenho como opinar, pois não sei se ele faz a luta em defesa da população negra nem de combate ao racismo. Mas creio que também não se pode esperar muito, uma vez que seu partido é ligado à igreja Universal do Reino de Deus e um dos fortes partidos da base bolsonarista, o que já nos leva a supor que não teremos apoio a causas sociais.

Também causa surpresa, ou não, a eleição (e o número expressivo de mulheres manifestando apoio) de um candidato que declarou nas redes sociais que mulheres trocam favores sexuais por cargos.

Ou seja, na Câmara de Maringá o bolsonarismo e tudo o que ele representa estará muito bem representado. Cabe a nós, que temos consciência de classe e lutamos por representatividade em todos os espaços, continuarmos fazendo a luta pelos próximos quatro anos, sem perder a esperança e sem perder a ternura jamais.


Margot é pós graduada em Gestão Pública pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), conselheira no Conselho Municipal da Mulher Maringaense, presidente da Associação Maringaense LGBT (AMLGBT) e membro do grupo Mães pela Diversidade.

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