Opinião

A preocupante realidade do Covid-19 no Paraná: poucos testes e explosão de casos

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A preocupante realidade do Covid-19 no Paraná: poucos testes e explosão de casos

O Paraná está enfrentando um dos momentos mais difíceis de sua história. A pandemia do coronavírus (Covid-19) é uma realidade do nosso cotidiano, de forma que todos, como sociedade, precisamos lidar com os impactos sociais e econômicos decorrentes da disseminação do vírus com responsabilidade, sensatez e solidariedade.

É desconcertante constatar que ainda nem atingimos o pico da pandemia e o Brasil contabiliza, até o dia 8 de junho, um saldo de mais de 35 mil mortes em decorrência do novo coronavírus, de um total de mais de 711 mil infectados, ou seja, um índice de 335 casos a cada 100 mil habitantes. Estes números representam os dados oficiais, aqueles casos que tiveram teste positivo para a Covid-19. Porém, precisamos nos atentar para a subnotificação, especialmente os índices de Síndrome Respiratória Aguda Grave não especificada.

No Paraná, ao considerarmos os números absolutos divulgados pela Secretaria de Saúde (SESA), a situação pode parecer, a princípio, menos dramática do que no restante do País. Segundo o governo, até 8 de junho, foram registrados 243 mortes de um total de 7 mil casos, resultando em um índice de 61 contaminados a cada 100 mil habitantes.

Na região Sul, por exemplo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm taxa de contaminação de 108 e 164 casos para cada 100 mil habitantes. No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais possuem índice de disseminação respectivamente de 315, 403 e 75 casos para cada 100 mil habitantes. Os Estados com maior número de casos de Covid-19 por 100 mil habitantes são Amapá, Amazonas e Roraima, com 1.572, 1.202 e 1 mil casos registrados.

Em teoria, portanto, o desempenho revelado pela Sesa coloca o Paraná como o Estado com menor índice de infecção pelo Covid-19 do Brasil.

Contudo, a realidade encontrada nos registros relativos à testagem dos casos de coronavírus e os dados relacionados aos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) não especificados em 2020 no Paraná mostram que os números divulgados pelo Governo devem ser examinados com cautela e que a situação no Paraná, na realidade, é preocupante.

Ao tempo em que os números da Sesa indicam que o Paraná é o Estado menos afetado pelo coronavírus, os dados relativos à testagem mostram que é também o que menos realiza testes para o Covid-19. Enquanto a média brasileira para a realização de testes do Covid-19 por milhão de habitantes fica na casa de 4.707, no Paraná este índice não passa de 3.866.

Para se ter uma ideia, Estados Unidos realizam 65 mil testes por milhão de habitantes, Espanha 95 mil, Russia 89 mil/milhão, Venezuela 47 mil/milhão, Colômbia 8,2 mil/milhão, Paraguai 5,4 mil/milhão e Argentina 4,3 mil/milhão. Entre os Estados, Santa Catarina realiza 7,3 mil testes por milhão, Bahia 10 mil/milhão, Pernambuco, 7,7 mil/milhão e Rio Grande do Norte 8,6 mil/milhão.

O Paraná, entretanto, está entre os estados brasileiros que menos realiza testes para o coronavírus e apresenta índice de testagem menor, inclusive, do que países da África, como África do Sul (15 mil por milhão de habitantes), Marrocos (9 mil/milhão) Gana (7,5 mil/milhão) e Ruanda (6 mil/milhão) e Tunísia (4,6 mil/milhão).

Ao mesmo tempo, houve no Paraná uma explosão das mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave – causas não especificadas. Em 18 de março, os óbitos classificados nesta categoria eram de apenas 31 casos. A partir desta data até 27 de maio, este número saltou para 1.061, ou seja, houve entre março e maio 934 óbitos classificados como SRAG – causas não especificadas.

Esta informação é particularmente preocupante, pois revela que o Estado não está realizado uma tarefa básica para o enfrentamento à pandemia, a testagem da população, conforme explica reportagem do jornal Folha de S. Paulo: “a razão entre mortes por SRAG e Covid-19 tem correlação estatística forte e negativa com a taxa de casos confirmados por 100 mil habitantes em cada Estado. Ou seja: quanto maior a proporção da população que se sabe ter sido contagiada pelo novo coronavírus, menor a proporção de mortes atribuídas a causas respiratórias inespecíficas. Quanto mais ampla a testagem aplicada por um sistema de saúde, mais casos pouco graves são detectados e maior tende a ser a taxa de infecções confirmadas per capita”.

Cuidar da saúde da população neste momento, portanto, passa pela implementação urgente de uma política mais vigorosa de testagem em massa da população paranaense para o Covid-19. O governador Ratinho Jr. deve parar de gastar em asfalto e publicadade, e investir tudo em testes e demais procedimentos de saúde!


Arilson Chiorato é administrador, mestre em Gestão Urbana, deputado estadual pelo PT-PR e presidente do Partido dos Trabalhadores do Paraná.

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