A participação política como instrumento da democracia
Opinião

A participação política como instrumento da democracia

Tania Tait


Muito se fala em participação política, principalmente em períodos eleitorais quando ressurge a dicotomia esquerda x direita, os partidos e os candidatos (as) expõem suas propostas. Em uma democracia, a participação política se faz presente, no mínimo, com o exercício do direito ao voto pois estamos dando ao eleito ou eleita o aval para realizar as propostas apresentadas.

A participação política, portanto, faz parte das nossas vidas. Mesmo aqueles que estufam o peito dizendo que odeiam política e que todos os políticos são bandidos, estão tendo uma atitude política que desencadeia na participação mesmo que seja votar em branco.

Entretanto, a participação política vai além do direito de escolha pelo voto. Ela pode se dar em várias formas, em todos os setores e áreas da sociedade.

Para exemplificar, uma pessoa que defende o meio ambiente, participa de mobilizações e das atividades públicas pró-meio ambiente, está tendo participação política. Essa participação pode se dar na defesa do meio ambiente junto aos conhecidos e nas redes sociais. No entanto, a pessoa pode ir além e atuar como militante nas ruas e junto às autoridades. Pode, ainda, disputar um cargo político e se tornar defensora com proposição de projetos de leis relacionadas a proteção do meio ambiente. Nessa luta pelo meio ambiente, a pessoa pode descobrir que falta vontade política dos governos, que empresas lucram muito com o desmatamento, que há necessidade de preservar as reservas indígenas, que o governo que está no poder não tem política para a defesa do meio ambiente e… pronto, a pessoa descobre que tudo é política e que sua participação é fundamental para que a política promova o bem comum e a cidadania.

O exemplo do meio ambiente pode trazer à luz várias outras lutas que exigem participação política como o combate ao racismo, a luta pelo fim da violência contra a mulher, contra homofobia, defesa dos direitos da pessoa com deficiência, saúde pública e educação de qualidade, moradia digna, defesa da água como bem público…enfim, a lista aumenta, na medida que a participação promove a visão do entorno e dos problemas que a comunidade enfrenta. Isso leva a atuação em movimentos de bairros, movimento sindical, estudantil, feminista, anti-racismo, entre tantos outros que são resultados da participação política.

A participação política na democracia, portanto, não se resume a votar ou a se candidatar a cargo público. Não se trata de participar apenas no período eleitoral, essa participação pode se dar em vários níveis e cada pessoa escolhe aquilo que mais se adequa ao seu perfil. Inclusive, a participação em partidos políticos como membro, também, é uma forma de participação pois a pessoa comunga das ideias do partido, participa de reuniões e das decisões coletivas.

Com a participação política ganham os cidadãos e, mais do tudo, ganha a democracia que se fortalece sempre que a população participa ativamente na política, como forma de contribuir para a melhoria da vida em sociedade e do bem comum.


Tania Tait é professora aposentada da UEM, foi presidente do Conselho Municipal da Mulher de Maringá, integrante da Ong Maria do Ingá Direitos da Mulher e do Forum Maringaense de Mulheres. Autora do livro: As mulheres na luta política, lançado em 2020.

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