A discriminação nos mecanismos de busca nas redes digitais
Opinião

A discriminação nos mecanismos de busca nas redes digitais

Tania Tait


Não é novidade pra ninguém que as respostas as nossas indagações nos mecanismos de buscas nas redes digitais são redirecionadas de acordo com nosso perfil, ou seja, os algoritmos das plataformas relacionam as nossas buscas de acordo com o que postamos na rede digital.
Entretanto, estudos mostram que a situação é muito grave e vai além de relacionar as informações. Os algoritmos de busca são elaborados por pessoas que colocam neles suas expectativas, preconceitos, o posicionamento das empresas que atuam, inclusive com influências de racismo, machismo, misoginia, entre outros.

Dessa forma, os estudos comprovam que dependendo do que você pesquisa, as imagens mostradas refletem o que acontece em nossa sociedade. Para exemplificar, se você digita riqueza, surgem imagens de pessoas brancas. Se você busca por pobreza, a maioria das imagens mostradas é de crianças e mulheres negras.

Palavras como secretário e secretária também mostram imagens diversas. A busca por secretária apresenta, em sua maioria, imagens de mulheres brancas. Por sua vez, a busca por “secretário” normalmente traz imagens de chefes de estado ou secretários municipais que são cargos de primeiro escalão nos municípios. Nesse exemplo, encontramos tanto o racismo como o sexismo na mesma busca nos mecanismos, ao apresentar mulheres brancas em uma situação e apenas homens na outra situação.

Os testes efetuados sobre as ponderações realizadas nos estudos demonstram claramente o que pensa a nossa sociedade em termos de preconceito ao apresentar resultados de imagens que fortalecem o estereótipo social dado a cada agrupamento, principalmente relacionado às mulheres e aos negros.

A diversidade não encontra eco nas redes digitais e isso não é demonstrado apenas pelos comentários preconceituosos de alguns usuários dessas redes, mas, também, pela própria mentalidade de quem está por trás dos comandos efetuados para que as redes respondam nossas perguntas, ou seja, os algoritmos desenvolvidos por pessoas. O algoritmo é um conjunto de instruções para que o computador execute o que está sendo solicitado. Mas, por trás de um algoritmo existe uma pessoa que escreve os comandos para realizar determinada tarefa.

Assim, você está sendo conduzido o tempo todo. A partir do momento que você digitar a palavra que indica o que busca no local destinado a busca, o algoritmo te conduz a bancos de dados que contenham as informações daquela palavra. Normalmente, o algoritmo faz um relacionamento com seu perfil para detectar seus maiores interesses. Se você escolhe imagens, a plataforma oferece uma série de fotos, cartaz digital, entre outros relativos a imagem da busca.

A falsa sensação de que o mecanismo de busca nos traz tudo que existe sobre aquele tema cai por terra com a realização de diversos estudos que apontam para o controle sobre nossas informações nas redes digitais. Informações dados por meio de textos, vídeos ou imagens que refletem todo preconceito em nossa sociedade.

Não se pode fechar os olhos para a importância das redes digitais, no entanto, não se pode ignorar o mecanismo de manipulação existente nessas próprias.


Tania Tait é professora aposentada da UEM, foi presidente do Conselho Municipal da Mulher de Maringá, integrante da Ong Maria do Ingá Direitos da Mulher e do Forum Maringaense de Mulheres. Autora do livro: As mulheres na luta política, lançado em 2020.

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